Palavras-chave: alma irascibilidade paixões

thymikon

thymos - thymikon - aspecto irascível da alma

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E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira (thymikon). (Luc 4:28)

Porque receio que, quando chegar, não vos ache como eu quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis; que de alguma maneira haja pendências (eris), invejas (zelos), iras (thymoi), porfias (epitheiai), detrações (katalaliai), mexericos, orgulhos (psysiouseis), tumultos (akatastasiai); (2Co 12:20)

Porque as obras da carne (sarx) são manifestas, as quais são: adultério, prostituição (porneia), impureza (akatarsia), lascívia (aselgeia), idolatria (eidololatria), feitiçaria (pharmakeia), inimizades (ektrai), porfias (eris), emulações (zelos), iras (thymos), pelejas (thymoi), dissensões (eritheiai), heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. (Gal 5:19-21)

thymon - estar enfurecido
Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito (thymon), e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. (Mat 2:16)


Freqüentemente se manifesta pelo ódio ou pela raiva, mas pode ser melhor reconhecido como um poder provocador de sentimentos veementes. Pode ser usado positivamente, como, por exemplo, no rechaço de ataques demoníacos ou na fervorosa devoção à Deus. Descontrolado leva a auto-indulgência que desordena pensamentos e ações.

"Ardor", na tradução francesa da Philokalia, designando a segunda das três partes da alma: a energia que torna ativo o amor eros do incriado ou do criado.

A potência agressiva ou irascível da alma pertence à natureza própria do homem, sendo uma das componentes da alma desde sua criação.

A primeira função da agressividade no homem, em seu estado original de saúde (o Adão original e o homem restaurado em Cristo), é de se opor a tudo aquilo que pode desviá-lo de Deus e do caminho da deificação ao qual Deus o destinou por natureza. Esta faculdade, segundo os Padres, foi posta por Deus na alma do homem para lhe permitir lutar contra o mal (kakon), mais precisamente rechaçar os ataques dos demônios, combater as tentações, refutar e destruir os maus pensamentos que seus inimigos espirituais lhe sugerem.

Através desta faculdade utilizada conforme a sua natureza original, que o homem espiritual, afastando todos os obstáculos, pode se manter sem desvios no caminho para sua união com Deus. Graças à ação desta potência irascível que o homem pode sustentar seu desejo sempre tencionado para Deus, impedindo-o de se desviar para as realidades sensíveis onde a tentação busca enredá-lo.

Graças ao combate que o homem espiritual sustenta com a ajuda de sua potência agressiva que ele pode se guardar puro espiritualmente?. Esta potência se apresenta particularmente útil na oração, quando para alcançar uma contemplação pura, o homem deve rechaçar todos os pensamentos que buscam afastá-lo de Deus.

A agressividade bem utilizada, resistindo à prova da tentação, revela a medida e o valor verdadeiro de sua relação original a Deus.


O segundo uso natural e normal da potência agressiva é de permitir ao homem lutar para obter bens espirituais, aos quais tende por natureza; de permiti-lo alcançar o Reino dos Céus ao qual está destinado, mas que segundo as palavras do Cristo: “( Mat 11:12) E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado por violência, e são os violentos que deles se amparam”; “( Lc 16:16) A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem usa de violência para entrar nele.”. A potência irascível lhe faculta, portanto, as condições necessárias para praticar todos os esforços para realizar a tarefa que lhe cabe, crescer espiritualmente e obter a semelhança de Deus.


A potência agressiva quando exercita-se de todas essas maneiras toma a forma de uma cólera virtuosa, sábia e santa, aquela que o salmista recomenda fazer uso quando diz: “Salmos 4:4 Irai-vos e não pequeis; consultai com o vosso coração em vosso leito, e calai-vos.”

Pelo pecado, no entanto, o homem perverteu esta faculdade, desviando-a deste uso normal e bom para fazer um uso contra natureza e irracional. Assim a faculdade tornou-se doente, em lugar de combater para obter e guardar os bens espirituais, ela luta, todavia, para adquirir e conservar os pseudo-bens sensíveis e àqueles que se identificou por desejos. Põe-se inteiramente a serviço dos desejos sensíveis que animam o homem caído e se consagra à busca e à conservação do prazer que a eles se associa. Os Padres fazem alusão freqüente à relação fundamental que existe entre a agressividade e o prazer.

A experiência do prazer sensível é seguida inevitavelmente por aquela da dor, física, mas também sobretudo psicológica e moral. Por esta razão no homem caído a potência irascível é utilizada não só para lutar com vistas a obter e preservar o prazer, mas também para fugir da dor, para evitar de uma maneira geral todo desprazer e todo sofrimento.

A realização desta finalidade contra natureza implica em uma segunda forma de perversão da potência irascível. Deixando de utilizá-la para combater os demônios e suas tentações posto que aquiesce a suas sugestões e realiza a vontade deles, o homem a direciona contra seus semelhantes à medida que os encara seja como obstáculos à realização de seus desejos sensíveis e à obtenção dos prazeres que os desejos visam, seja como causas do sofrimento relativo ao amor egoísta que porta em si mesmo.

Os Padres são unânimes em salientar ainda o caráter contra natureza e irracional deste uso da potência irascível que corresponde a uma verdadeira perversão desta faculdade, desviada de sua finalidade natural e normal e redirecionada para uma meta que lhe é contrária. A loucura suprema é seu uso indevido para se pôr contra Deus, quando originalmente era um auxílio para se manter próximo a Deus. (Philokalia-Therapeutes)


Categoria: Filosofia
Categoria: Philokalia

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Responsável

Murilo Cardoso de Castro Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)

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