id da página: 1689
praktike - prática
Tradição e tradições > Cristianismo > Philokalia
Sabedoria Tradicional > Ação - Rito - Ascese
praktike
VIDE
PRÁCTICA, de las virtudes, de los mandamientos (praktikí, praktikón): vocablo usado sobre todo por Evagrio, quien lo recibe directamente de Orígenes, el cual ve en María y en Marta el símbolo de la contemplación y de la práctica. Ambas virtudes son entendidas como inseparablemente unidas, en cuanto que la práctica es el actuar de los mandamientos, de las virtudes, de la ascesis tendiente a la obtención del conocimiento espiritual y de la contemplación.
Resumo da Introdução de Antoine e Claire Guillaumont, de sua tradução do Tratado Prático de Evagrio
Para Evagrio a doutrina espiritual se compõe de três partes: “O cristianismo é a doutrina do Cristo, nosso salvador, que se compõe da prática, da física e da teologia”.
- A contemplação das naturezas criadas (física) e a ciência de Deus (teologia) formam juntas o gnostike, segundo tratado de Evagrio que acompanha o praktike.
- Este esquema tripartita se inspira da divisão escolar, de origem estoica, da filosofia em três partes: naturalem, moralem e rationalem (Sêneca); physikon, ethikon e logikon.
- Orígenes põe cada uma das ciências em relação com os três livros atribuídos a Salomão:
- Provérbios
- Eclesiastes
- Cântico
- Para Evagrio, “a praktike é o método espiritual que purifica a parte apaixonada da alma”, em suas próprias palavras.
- Seu fim é a apatheia, por sua vez, condição da ciência espiritual, via de acesso ao gnostike.
- Sob esta forma e soba forma de praktikos, praktikon, este termo tem uma uma grande história, antes de Evagrio adotá-lo dando uma significação técnica precisa, que por ele e depois dele, se tornou clássica na literatura espiritual bizantina.
- Histórico anterior a Evagrio:
- O par praktike-gnostike remonta a Platão, que divide as ciências em duas partes: (a praktike (episteme) e gnostike (episteme).
- A oposição praktikos-theoretikos (e não mais gnostikos) é aristotélica
- O nous praktikos raciocina sobre o contingente e visa a ação
- O nous gnostikos encontra seu fim em sua própria atividade e deduz de um princípio suas consequências necessárias
- Decorre daí a definição de formas de vida : bios praktikos e bios theoretikos
- O praktikos ganha mais amplitude em Aristóteles, além das artes manuais se estendendo à ação em geral, incluindo a atividade política.
- Os estoicos seguem Aristóteles, definindo o praktikon como abarcando as coisas humanas, tendo por finalidade a felicidade da vida humana, que o político se aplica em realizar; quanto ao theoretikon tem por questão as coisas divinas e por finalidade a felicidade teorética, contemplativa.
- O sábio deve ser um ativo e um contemplativo, ideal resumido na palavra logikos: “Entre os três gêneros de vida que existem, o theoretikos, o praktikos e o logikos, deve-se escolher o terceiro; pois o vivente que é logikos, a natureza o torna apto ao mesmo tempo à contemplação e à ação” (Crisipo, segundo Diógenes Laércio).
- Entre os filósofos gregos a palavra praktikos refere-se sempre a uma atividade de caráter profano.
- Philon, pela primeira vez, se refere a uma atividade especificamente moral e religiosa.
- A melhor das coisas o theoretikos bios sucedendo, na velhice, ao praktikos bios levado durante a juventude.
- Por “vida prática”, ele entende a askesis que praticou Jacó, o “asceta” por excelência, antes de se tornar Israel, quer dizer “aquele que vê Deus”; esta ascese consiste em nada negligenciar dos affaires humanos, em conformidade ao ideal estoico, mas também não fugir de qualquer esforço, qualquer combate sustentado com vistas à verdade.
- Nos autores cristãos o termo desenvolve-se no sentido aristotélico e estoico, e no sentido de Philon.
- O sentido mais comum é aquele que se refere à “vida ativa”, em contraposição à “vida contemplativa”, sendo Orígenes o primeiro a vê-las simbolizadas em Marta e Maria. Orígenes defende o ideal de sua união.
- Em Orígenes destaca-se o emprego da palavra praxis que Philon usou para designar uma etapa da vida espiritual.
- Orígenes ordena a atividade espiritual em primeiramente praktikon, “fazer o que é justo”, vindo em seguida o theoretikon. O praktikon define-se como “retitude das ações”, ligada à contemplação, theoretikon, da qual é a condição: “Venham e vejam” (Jo 1,39), seria o vir uma exortação ao praktikon, e o ver a contemplação decorrente da retitude das ações.
- Esta oposição praxis e theoria, ação e contemplação, de Orígens passa para Gregorio de Nazianzo e Gregorio de Nissa, que também adotam as expressões aristotélicas: philosophia prkatike e philosophia theoretike.
- Recebem novas conotações dado o aparecimento da vida monástica
- O sentido mais comum é aquele que se refere à “vida ativa”, em contraposição à “vida contemplativa”, sendo Orígenes o primeiro a vê-las simbolizadas em Marta e Maria. Orígenes defende o ideal de sua união.
- Evagrio herda a palavra praktikos mas lhe dá uma nova significação, que se pode dizer paradoxal, em relação às precedentes.
- Aquele que Evagrio denomina praktikos é um monge, mais exatamente uma anacoreta, que se retira do mundo e renuncia não apenas se ocupar dos affaires humanos, mas até assumir funções ativas na Igreja, em outros termos alguém que vive na hesychia.
- A praktike implica em uma anacorese prévia e já estabelecida: a hesychia.
- Seu Tratado Prático é destinado aos monges que vivem uma vida anacorética e não aos cenobitas.
- Na trilha de Philon e de Orígenes, acentua na praktike seu caráter ascético e adaptado a vida anacorética, definindo-a de acordo com sua meta a impassibilidade, a apatheia.
Em que consiste a praktike? O tradutor siríaco traduzindo como “prática dos mandamentos”, seguiu de perto o pensamento de Evagrio que afirma: A caridade é filha da impassibilidade; a impassibilidade é a flor da prática; a prática repousa sobre a observância dos mandamentos...”. Mas a praktike não se confunde com a observância dos mandamentos.
- De certo modo a praktike é o exercício das virtudes, que Evagrio define como cinco fundamentais, constituindo uma cadeia: “A fé (pistis) é fortalecida pelo temor (phobos) de Deus, e este, por sua vez, pela abstinência (enkrateia); esta tornada inflexível pela perseverança ((hypomone) e pela esperança (elpis), das quais nasce a impassibilidade (apatheia), que tem por filha a caridade, e a caridade é a porta da ciência natural a qual sucedem a teologia e por fim a beatitude”.
Esta forma encadeada parece provir de Clemente de Alexandria: “Assim a fé (pistis) nos aparece como primeiro movimento que inclina à salvação; após a qual o temor (phobos), a esperança (elpis) e o arrependimento (metanoia), se desenvolvendo com a abstinência (enkrateia) e a perseverança (hypomone), nos conduzindo até a caridade e a gnose”. (Stromates II, 31)
A praktike consiste principalmente na luta contra os “pensamentos” (logismoi). A análise dos pensamentos, particularmente dos oito principais pensamentos, o exame de sua origem e de suas características respectivas, a exposição dos remédios apropriados a cada um deles, formam quase todo o conteúdo do Tratado Prático de Evagrio.
Antonio Carneiro
Nota à tradução do Tratado da Gnose de Evagrio
pratique ( fr.) = prática ( port.) = praktiké (gr.) = práctica (esp.)
Traduzir a palavra em francês pela sua equivalente em português é de pouca valia. Como escreveu José I. González Villanueva, OSB na introdução das Obras Espirituales de Evagrio Póntico publicada pela Editorial Ciudad Nueva, Madrid, 1995, 296 p., biblioteca de patrística n° 28, ISBN: 84-86987-84-9 na página 56:
"Evagrio señala el sentido preciso de la palabra intraducible praktiké , al fundamentarla en la observancia de los mandamientos.
La práctica es el dominío de los pensamientos o vicios que se describen en la primera mitad de la obra."
Tradução: " Evagrio assinala o sentido preciso da palavra intraduzível praktiké, ao fundamentá-la na observância dos mandamentos ... A prática é o domínio dos pensamentos ou vícios que são descritos na primeira metade da obra."
É algo a mais mas ainda é pouco. Melhor definição é dada pelo próprio Evágrio em seu Tratado Prático: "78. A prática é o método espiritual que purifica a parte passional da alma."
O mencionado José I. González Villanueva, OSB colocou uma nota 96 neste item 78 na pag. 166 onde escreveu o seguinte: 96. Brevemente dito, este é o objetivo do livro. Deve-se precisar que, sem bem que o objeto próprio da prática seja purificar as tendências irascível (thumos) e concupiscível (epithumia), que são as partes apaixonadas, o objetivo último é purificar o intelecto, dominando os pensamentos que vem daquelas.das tendências
No site mencionado a seguir tem uma breve introdução em francês sobre o conceito da Praktiké : "La Praktiké est la méthode spirituelle qui vise à purifier la partie passionnée de l'âme" (cf. §78 in Praxis d'Evagre-le-Pontique) . C'est le lent travail de purification du coeur conscient et inconscient pour que celui-ci retrouve sa beauté première, sa santé ou son salut (c'est le même mot en grec : soteria).
On peut ainsi dire que la Praktiké d'Evagre est un traité de thérapeutique du IV° siècle dont le but est de permettre à l'homme de connaître sa véritable nature "à l'image et à la ressemblance de Dieu", délivré de toutes ses malformations ou déformations pathologiques . C'est dans ce sens qu'on pourrait traduire le mot apatheia, qu'emploient Evagre et la tradition monastique du Désert, non par impassibilité, mais par état non pathologique de l'être humain, s'il est vrai que la conversion, "c'est revenir de ce qui est contraire à la nature vers ce qui lui est propre" (saint Jean Damascène).
La Praktiké ou praxis, c'est à dire "l'agir", est une forme de psychanalyse dans le sens propre du terme : analyse des mouvements de l'âme et du corps, des pulsions, des passions, des pensées qui agitent l'être humain et qui sont à la base de comportements plus ou moins aberrants . Ainsi, l'élément essentiel de la Praktiké au Désert va-t-il consister dans une analyse et une lutte contre ce qu'Evagre appelle les logismoi, ce qu'il faut traduire littéralement par : "les pensées".
Traduzir a palavra em francês pela sua equivalente em português é de pouca valia. Como escreveu José I. González Villanueva, OSB na introdução das Obras Espirituales de Evagrio Póntico publicada pela Editorial Ciudad Nueva, Madrid, 1995, 296 p., biblioteca de patrística n° 28, ISBN: 84-86987-84-9 na página 56:
"Evagrio señala el sentido preciso de la palabra intraducible praktiké , al fundamentarla en la observancia de los mandamientos.
La práctica es el dominío de los pensamientos o vicios que se describen en la primera mitad de la obra."
Tradução: " Evagrio assinala o sentido preciso da palavra intraduzível praktiké, ao fundamentá-la na observância dos mandamentos ... A prática é o domínio dos pensamentos ou vícios que são descritos na primeira metade da obra."
É algo a mais mas ainda é pouco. Melhor definição é dada pelo próprio Evágrio em seu Tratado Prático: "78. A prática é o método espiritual que purifica a parte passional da alma."
O mencionado José I. González Villanueva, OSB colocou uma nota 96 neste item 78 na pag. 166 onde escreveu o seguinte: 96. Brevemente dito, este é o objetivo do livro. Deve-se precisar que, sem bem que o objeto próprio da prática seja purificar as tendências irascível (thumos) e concupiscível (epithumia), que são as partes apaixonadas, o objetivo último é purificar o intelecto, dominando os pensamentos que vem daquelas.das tendências
No site mencionado a seguir tem uma breve introdução em francês sobre o conceito da Praktiké : "La Praktiké est la méthode spirituelle qui vise à purifier la partie passionnée de l'âme" (cf. §78 in Praxis d'Evagre-le-Pontique) . C'est le lent travail de purification du coeur conscient et inconscient pour que celui-ci retrouve sa beauté première, sa santé ou son salut (c'est le même mot en grec : soteria).
On peut ainsi dire que la Praktiké d'Evagre est un traité de thérapeutique du IV° siècle dont le but est de permettre à l'homme de connaître sa véritable nature "à l'image et à la ressemblance de Dieu", délivré de toutes ses malformations ou déformations pathologiques . C'est dans ce sens qu'on pourrait traduire le mot apatheia, qu'emploient Evagre et la tradition monastique du Désert, non par impassibilité, mais par état non pathologique de l'être humain, s'il est vrai que la conversion, "c'est revenir de ce qui est contraire à la nature vers ce qui lui est propre" (saint Jean Damascène).
La Praktiké ou praxis, c'est à dire "l'agir", est une forme de psychanalyse dans le sens propre du terme : analyse des mouvements de l'âme et du corps, des pulsions, des passions, des pensées qui agitent l'être humain et qui sont à la base de comportements plus ou moins aberrants . Ainsi, l'élément essentiel de la Praktiké au Désert va-t-il consister dans une analyse et une lutte contre ce qu'Evagre appelle les logismoi, ce qu'il faut traduire littéralement par : "les pensées".
Philokalia
- Teodoro o Grande Asceta
- 21. A fé (pistis) é uma qualidade inerente a nossa natureza (genesis). Produz em nós o temor (phobos) a Deus; e o temor a Deus instila esta observação dos mandamentos que constitui a prática das virtudes (arete). Desta prática cresce a floração preciosa da impassibilidade (apatheia). O fruto da impassibilidade é o amor (agape), que é a realização de todos os mandamentos, juntando e mantendo os em unidade. Uma Centúria de Textos Espirituais (Philokalia-en)
- Maximo o Confessor
- 79. Um intelecto (nous) confiante na prática da virtudes (arete) é como S. Pedro quando levado cativo por Herodes (Atos XII, 3-18). O nome "Herodes" significa "feito de peles ou couro", e assim Herodes significa a lei de couro, ou seja, a vontade (thelema) da carne (sarx). S. Pedro é guardado por dois pelotões de soldados e preso por um portão de ferro. Os dois pelotões significam os ataques sofridos pelo intelecto da atividade das paixões (pathos) e do assentimento da mente às paixões. Quando através do ensino da filosofia prática (praktike), como pela ajuda de um anjo, o intelecto passa através destes dois pelotões ou prisões, chega ao portão de ferro que conduz à cidade. Por este "portão" quero dizer o obstinado e teimoso apego dos sentidos às coisas sensíveis. No entanto, o portão é aberto automaticamente através da contemplação espiritual (theoria) das essências interiores dos seres criados; e tal contemplação então destemidamente impulsiona o intelecto, agora liberado da loucura de Herodes, em direção as realidades espirituais onde verdadeiramente pertence. Primeira Centúria de Vários Textos (Philokalia-en)
Leituras
Sidebar
Login
Últimas alterações
- Gusdorf Interpretação
- Gusdorf Leitura
- Gusdorf Romantismo Universidades
- Guenon Cristianismo Iniciação
- Guenon Esoterismo Cristão
- Batismo
- anjos
- amor
- Gusdorf Exegese Hermenêutica
- Gusdorf Hermenêutica Bíblica
- Gusdorf Filologia
- Gusdorf Exegese Medieval
- Gusdorf Hermenêutica Patrística
- Gusdorf Hermenêutica Judeu-Cristã
- Gusdorf Hermenêutica Alexandria
- Gusdorf Hermenêutica
- Monismo Filosófico e Não-Dualidade
- Monge do Ocidente
- Não-dualidade e Cristianismo
- Sankara
Páginas mais visitadas
- HomePage
- Santos Simbolo Psicologia
- Santos O que é Simbolo?
- Santos Símbolos Religiosos
- Buscai primeiro o reino de Deus
- Arte Renascentista
- Philokalia
- Mestre Eckhart
- Simbolismo
- Cristologia
- Caminhantes
- Gnosticismo
- Subida do Monte Carmelo
- Genealogia de Jesus Cristo
- Hermetismo
- Sufismo
- Mario Ferreira dos Santos Pitagoras Resumo
- São João da Cruz
- A subida do Monte Carmelo
- Sri Ramana Maharshi
Últimos Blogs Criados
Last directory sites
Responsável
Murilo Cardoso de Castro
Doutor em Filosofia, UFRJ (2005)
Busca Google
Usuários on-line
11
usuários on-line






